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Sem canudo


Do Espuminha de Leite

Assim, de supetão, fui invadida por dois sentimentos quando soube do fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo.

1) Medinho (em relação à imagem da profissão). Será que vão começar a pipocar por aí peruas se intitulando “atriz, modelo e jornalista”? Céus!

2) Alívio. O fantasma do corporativismo pesava demais sobre a profissão. Agora bastará mostrar quem é bom, e constatar se a faculdade é importante (ou não).

***

Para os jovens que “investiram” no diploma e estão chateados (podiam ter feito faculdade de economia, por exemplo, se tinham foco em jornalismo econômico), vou contar uma historinha. Tenho uma amiga que precisa editar, todo mês, reportagens especializadas, escritas por jovens jornalistas que ainda estão se familiarizando com aquele assunto. Ao mesmo tempo, ela também recebe, para edição, colunas e artigos escritos por profissionais especializados, que não são jornalistas.

Um dia perguntei a ela o que era mais fácil: ensinar jornalistas a escrever sobre um assunto difícil ou ensinar os articulistas especializados a elaborar um texto mais claro e palatável? Ela não hesitou. Era muito mais fácil editar o texto de um jornalista. Sempre. Moral da história: só se torna jornalista de fato quem tem o dom (ou a técnica) de se comunicar.

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