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Receita de namorada perfeita

por Carla Rodrigues, em Nomínimo

Existem alguns clichês a respeito das dificuldades que homens e mulheres enfrentam para conquistar o sexo oposto. É lugar-comum, por exemplo, que homens acusem as mulheres de serem umas chatas exigentes demais, que pegam no pé deles exigindo compromisso (leia-se casamento). Elas, apesar de toda a emancipação feminina, continuariam jogando as tranças do alto de uma torre de marfim. Tanto jogo estaria fazendo o efeito contrário – o que seria a justificativa deles para a eterna queixa delas de que está faltando homem. Na verdade, do meu ponto de vista o grande problema está no fato de que ambos os lados mudaram por fora, mas continuam presos a expectativas de relacionamento que repitam o modelo de seus pais e avós, quando homens se limitavam a ser bons provedores financeiros e mulheres, atenciosas donas-de-casa. Com tantas transformações na sociedade, estes papéis se modificaram, mas ainda não temos as referências de como seria viver fora deles. Para muito poucos de nós já faz sentido experimentar a vida cotidiana criando nossas próprias – e novas – referências.

O longo preâmbulo serve como explicação para o tema de que resolvi tratar, tendo como link (em jornalistês chama-se gancho) o Dia dos Namorados. De um grande amigo ouvi, na semana passada, o que seria a fórmula da namorada perfeita: mulher que não dá trabalho. Achei a definição tão curiosa que quis detalhar quais são os quesitos da categoria:Dormir na casa deleAcordar na mesma hora que ele

Topar encontrar apenas nos fins de semana

Ter seu próprio dinheiro

Topar qualquer tipo de programa, dos sofisticados aos bregas

Ser alegre

Não querer ter filho

A listinha me esclarece perfeitamente qual é o problema. Mulheres, do ponto de vista deste meu amigo, são seres coadjuvantes. Quando se contentam com este papel secundário, não dão trabalho porque simplesmente seguem seu homem. Não dão trabalho porque não reivindicam ser protagonista em momento nenhum. Servem para fazer companhia e, principalmente, servem para tornar a vida do homem mais agradável.

Por enquanto, meu amigo parece feliz com sua namorada perfeita. Não tenho certeza de que ele vá se dar ao trabalho de encontrá-la nesta terça-feira para comemorar o Dia dos Namorados, na medida em que ele dá preferência a encontros nos fins de semana. O relacionamento já completou um ano, marca que ele considera recorde. É claro que meu amigo discorda veementemente da interpretação que faço da sua listinha. Discutimos um pouco o assunto, sei que ele não vai se dar por vencido. Deixamos o café sem chegar a nenhuma conclusão: ele jurando felicidade, eu convencida de que não há grandes emoções nos relacionamentos perfeitos.