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Procrastinar: uma questão linguística



Escrever não é uma tarefa fácil. Ainda mais quando você se propõe a fazer isso todo o dia. Na verdade, qualquer coisa que você define que vai incluir na rotina ou (1) você não gosta mas vai fazer bem pra você ou (2) você é um grande procrastinador. Fico com o 2, neste caso.


Pra mim, escrever é fácil. Flui. Sai naturalmente. Mas… (todo o procrastinador tem um MAS bem grande, não é?)


Existe o Netflix, existem livros e mais livros interessantes por aí — e a um “Compre com um click” pelo Kindle. Então, me explica, como sentar e escrever 750 palavras por dia?? Difícil. Muito difícil.


Ideias não faltam. Queria escrever sobre minhas experiências em educação. Tentei. De 50 textos, fiz.. sei lá,… uns 20. Parei porque viajei. Porque fui ver uma série. Porque li um livro. Porque, simplesmente, não fiz nada.


Também poderia escrever sobre meus trabalhos com US (User Experience, ou em português, experiência do usuário) — vejam que, aqui, já consegui 6 palavras a mais, só traduzindo o termo, mais algumas com esse comentário… até agora, 180 palavras! Vamos em frente!


Estava onde… User Experience… Pois é. Descobri isso há uns 4 anos. Sensacional. Todos deveriam trabalhar com esse conceito. E eu poderia escrever sobre isso.


Também poderia escrever sobre jornalismo. Minha formação básica, essencial, onde tudo isso começou. Sobre como informar, como escolher as melhores palavras ou o estilo mais apropriado. É … também poderia escrever sobre isso.


Ainda na parte das “letrinhas”, poderia escrever sobre a língua francesa. Falam de língua materna. Francês é minha língua adotiva, do coração. E poderia falar sobre tradução, tradução do francês, uma paixão que iniciou em 2016 e que negligencio todos os semestres, empurrando o curso com a barriga, porque sempre tem outra coisa para fazer.


300 palavras. Segue o baile.


Quando comecei o curso de tradução foi com toda a energia. Mas ontem vi uma frase no Twitter que me representa: “velocidade da luz é rápida só perde pra velocidade com q eu desanimo das coisas” (@soueunavida) — referências contam palavras e evitam o plágio ;D

Pois é, além do Netflix e dos livros, ainda tem a internet, personificada nos demônios comedores de tempo chamados Twitter, Facebook, Instagram. Alguém já passou pela experiência de ser engolido pelo feed de vídeos do Face. MEODEOS! Se você dá play no primeiro, nunca mais sai daquele lugar.


Voltemos a tradução. Tive (e tenho) professores WOW. Outros, SO SO. Dedico minha energia com os primeiros. Os outros. Ignoro. Canso. Na velocidade da luz. Aprendi que traduzir é muito mais coração, mas sem técnica não se chega a lugar nenhum. Os teóricos, conheço pouco. Muito blá blá blá. Cansa. Velocidade da luz, lembra?


Também poderia escrever sobre saúde. Comunicação e educação em saúde. Estou nesse barco há quase 5 anos. Comecei por oportunidade. Sigo por opção. Aprendendo sempre. Como fazer, porque fazer e, principalmente, para quem fazer (olha o UX aí, gente!). Tudo isso com sucesso. Porque aprendi a nadar para pular do barco antes que ele afunde.


Falando em nadar, também poderia falar sobre isso. Passei 20 anos da minha vida nadando 2 a 3 horas por dia, às vezes mais. Até aula já dei — num passado tão distante que as crianças que ensinei a mergulhar já devem ter netos.


Envelhecer também poderia ser um tema interessante. Não só porque viver é, em si, envelhecer, mas também porque trabalho com essa temática há 4 anos. Aprendi, ensinando, que ser velho é só ser, viver. Aprendi que a velhice está na mente. Há velhos de 15 anos e jovens de 90. O corpo só reflete o desgaste do tempo. Ele precisa de cuidados, claro!, mas não define um velho.


Poderia escrever sobre tantas coisas. E sobre nada. Sobre como, no meio de tanto assunto, falta “déclancher”. Adoro esse verbo! Sabe o gatilho para algo? Em francês isso é um verbo. O que faz todo o sentido. De que adianta um gatilho se você não aperta, não é mesmo?


DÉCLANCHER !


É isso! Em português ficamos esperando o gatilho, mas o que precisamos é a ação. O começar, o apertar! Por isso, procrastino. Uma questão linguística. Porque minha língua materna é o português. Porque não tenho um verbo que me faça começar uma coisa a partir de algo. Que me faça déclancher. Ou minhas habilidades de tradução sejam tão pífias que eu desconheça esse verbo. Ou, o que é mais provável, talvez essa seja só outra desculpa para procrastinar. De novo!


754 palavras! Game Over!


Escrito — e sem revisão — no https://750words.com/

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