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O novo Rei de Versalhes

Da IstoÉ Dinheiro

O antigo alojamento de caça de Luís XIII foi convertido e ampliado por seu filho Luís XIV para abrigar o tribunal e o governo da França em 1682. Transformou-se em uma das mais suntuosas construções da Europa.

Por ali desfilaram uma sucessão de reis – inclusive o bon vivant Luís XV e a extravagante rainha consorte Maria Antonieta, que deixaram marcas profundas nas dependências do monumental castelo. Sede da monarquia francesa e Patrimônio Mundial da Humanidade, o Château de Versailles é uma das maiores relíquias da arte francesa do século XVII.

Desde a Revolução Francesa, Versailles nunca se viu governado, de tal modo, pelo público. Não apenas os cidadãos franceses, mas turistas em geral trafegam seus olhares de voyeur sobre os aposentos do rei e da rainha e não deixam de perambular pela Galeria dos Espelhos, palco de negociações que definiram a história mundial, como a assinatura do tratado que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial.


Segundo Alain Rousseau, diretor da Atout France (Agência de Desenvolvimento Turístico da França), pelos mil hectares compostos pelos parques da propriedade circulam dez milhões de pessoas ao ano. Em 2009, apenas a área do palácio recebeu 5,6 milhões de visitantes. Depois dos franceses, a ocupação local é dos americanos.

E se o público é o novo rei é para ele que a diversão é preparada e reformas constantes estão em andamento. Nos fins de semana é comum ver shows pirotécnicos e de música pelos jardins do palácio, além de exposições, óperas e concertos.

O artista americano Jeff Koons já apresentou uma retrospectiva de suas criações de arte contemporânea nas salas de Versailles. Vanessa Paradis já fez shows no palco da Ópera Real e Sofia Coppola usou as instalações do palácio para rodar o filme “Maria Antonieta”, só para citar alguns exemplos.


De acordo com uma reportagem publicada pela revista L’Express, se a corrida em busca de mais frequentadores e mais rentabilidade deu nova vida a Versailles, ela tem, no entanto, seu revés.

Para vários seguidores incondicionais do lugar – como Didier Rykner, fundador do site cultural La Tribune de l’Art, certas restaurações “brilhantes” ou espetáculos de variedades provocam a “disneylandialização” do local. A polêmica é refutada pelo diretor de Versailles Jean-Jacques Aillagon. “Quem fala da ‘disneylandialização’ se engana.

Versailles merece ser aberto a um número maior de visitantes e as reformas que têm sido feitas devolvem ao palácio uma aura barroca. As exposições de arte contemporânea o reconectam com o melhor da sua tradição, que é ser um laboratório do gosto e da criação”, diz o diretor.

Para Maria Izabel Branco Ribeiro, diretora do Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), cada museu define sua política de visitação de acordo com as propostas que acha válidas. “São estratégias culturais, econômicas ou questão de sobrevivência. A medida é o bom-senso”, opina.


Opiniões à parte, as melhorias nas instalações visam trazer mais conforto ao visitante. No prédio, a Galeria dos Espelhos foi restaurada, a climatização foi instalada, o aquecimento e a parte hidráulica foram renovados, o sistema de segurança revisto e o circuito de visitas repensado.

A Ópera Real e os apartamentos ganharam novas mobílias. Os jardins, quase destruídos por uma tempestade em 1999, foram inteiramente replantados em tempo recorde e a estátua equestre de Luís XV transferida para a Praça de Armas. O palácio do Petit Trianon e a aldeia da rainha – refúgio de Maria Antonieta – foram restaurados.

Atualmente, a fonte de Latone se prepara para um grande “lifting”. Somente o Grand Trianon ainda aguarda sua vez de ser remodelado. Está prevista para 2012 a liberação do prédio do Grand Commum para a visitação pública – hoje destinado ao serviço administrativo.

E no espaço liberado pelo Parlamento deverá entrar a coleção do Museu da História da França, idealizado pelo rei Louis-Philippe I em 1837. Desde outubro de 2003, o projeto Grand Versailles, lançado pelo estabelecimento que administra o patrimônio, com supervisão do Ministério de Cultura e Comunicação, está voltado para a restauração do palácio e a perspectiva é de conclusão em 17 anos, com custo de 500 milhões de euros.


As obras contam com patrocínio da iniciativa privada. Entre as empresas envolvidas estão Vinci, Monnoyeur, Montres Breguet, Colas, BNP Paribas, Martell, Nexans, Nikkei e L’Oréal.

O próprio site do museu indica como pessoas físicas e jurídicas podem doar. Tal fato tem levantado polêmica sobre a privatização do palácio de Versailles.“Não acho que isto proceda. A restauração da Capela Sistina também contou com investimentos privados.

Vários monumentos e patrimônios da humanidade só conseguiram ser restaurados com o apoio de grandes empresas”, defende Maria Izabel, do Museu de Arte Brasileira da Faap.

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