• Laura Gris

O Mapa

Olho o mapa da cidade Como quem examinasse A anatomia de um corpo (É nem que fosse meu corpo!) Sinto uma dor infinita Das ruas de Porto Alegre Onde jamais passarei Há tanta esquina esquisita Tanta nuança de paredes Há tanta moça bonita Nas ruas que não andei (E há uma rua encantada Que nem em sonhos sonhei…) Quando eu for, um dia desses, Poeira ou folha levada No vento da madrugada, Serei um pouco do nada Invisível, delicioso Que faz com que teu ar Pareça mais um olhar, Suave mistério amoroso, Cidade de meu andar, (Deste já tão longo andar!) E talvez de meu repouso…

Mário Quintana

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