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Memórias de verdade

Quando eu fiquei sabendo que a minha vó tinha ido para o hospital – e que, infelizmente, não tinha muita esperança de continuar sua existência aqui por mais do que 24 horas – eu estava trabalhando, em SP. Quase dois mil quilômetros nos separavam.

Eu larguei tudo e voltei para Brasília.

Enquanto eu esperava o voo, em Congonhas, eu peguei um caderninho e comecei a escrever… chorar e escrever…

Não cheguei a tempo de ver minha vó. Ela já tinha ido. Arranquei as folhas do caderninho e guardei. Nunca tinha chegado a ler o que eu mesma tinha escrito.

Hoje, por acaso, as folhas caem de dentro de um bloco de notas. Pela primeira vez, li o que havia escrito.

Chorei. Não um choro dolorido, como foi naquele dia. Um choro de saudade, desses que a gente tem quando lembra das coisas boas da vida.

Minha vó se chamava Cleyr. Teve câncer e morreu com 80 anos. Sofreu com dores, mas nunca deixou de ter um sorriso no rosto e uma piada pronta. Hoje, relendo o texto, que copiei exatamente como escrevi, vejo que, inconsientemente, eu já sabia que não ia encontrá-la viva – e, talvez, de alguma forma e seja lá de onde, ela estivesse me dizendo isso! Como são belas as histórias de amor, não? =) 

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